domingo, 16 de março de 2014

Caminhos Distantes



(...)
E assim foi, ela fria corrida pelo vento que soprava forte por entres as árvores. Ela vai, e vai de mente revoltada e revirada do avesso. Perturbada por um excesso de pensamentos queimados de folhas que já arderam, ou que queria que assim fosse. Mais do que isso, por medo do futuro incerto que enfrenta. Por medo dele, de que partisse sem regresso. Assim foi, o vento virou chuva intensa, e ele foi e não sabe mais onde tinha estado. Mais do que uma folha queimada, uma memória que parecia e queria ser evitável! Hoje, o tempo apresenta-se em bom estado, tal como a mente que pertencia ao jovem. Pelo menos, sem aquele ar frio, mais seguro das ideias, menos completo mas mais certo no que tem. O risco demonstra a nossa vontade de viver, mas por vezes o ideal passa apenas por abrandar o ritmo de desenvolvimento. Passa por valorizar mais, não andar em circulo, mas caminhar com as pessoas que estão, apenas. Ele está, não de volta, mas de novo. Para ir e não voltar. Para crescer e vencer, mais, mais na vida. Dar um ponto grande nos enormes tormentos passados. Viver mais dos objectivos. Querer mais do que a estabilidade. Talvez mais um romântico incurável a querer aprender a viver, mesmo quando a cura é inexistente. Até porque a verdade passa por a história da vida de cada um. Cada um com um fim, é certo, mas a minha... bem, a minha tenho a certeza que irá ser a última a ser queimada. 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Mentes barulhentas



Mentes barulhentas não se fazem ouvir. Mentes barulhentas simplesmente não respiram. Mentes barulhentas são o silêncio do exposto e a perturbação de pensamentos. Mentes barulhentas são a triste realidade das incertezas do futuro, é mais como uma concentração de ideias num copo de água em plena tempestade.  Mentes barulhentas por vezes é isso, confusão instalada no que podia ser simples, no que em tudo podia ser simples, diferente e real. Não acabou, não começou, não existe. O sonho é a parte objectiva do passo que cada um dá, de todas as escolhas difíceis que toma ou que decide não tomar. Quero dizer que é essencial a chamada "condição ao erro", a probabilidade de chegar até ele é altamente inversa ao resultado se antes existir inteligência. Saber esperar é inteligente. Saber viver é inteligente. Saber aceitar ou negar é inteligente. A vida são dois dias, pelo menos é o que dizem, no entanto eu acho que se não houver condições para viver o de hoje e mesmo assim fazer disso um risco, amanhã será ainda pior. O isolamento nem sempre é um sinónimo de negatividade, por vezes é o que representa uma maior coragem e atitude para uma recuperação ou um criar de condições até à paz. Em vez de competição e de luta por lanternas, é mais inteligente inventar a própria luz, deste ou de outro jeito, mas alguma do tipo invejada e segura. Não prevejo o espectáculo, nem maravilhas, mas dou o que me compete ao tempo. Para o que eu quero e preciso é necessário por vezes atirar-me à rua, cair e levantar. As escolhas tem esse poder de consequência, quando tem que ser, a vida diz que tem que ser. Toda gente sabe que a cassete não vai rolar se não tiver condições para tal, se for forçada. Toda gente sabe portanto que por vezes uma decisão de pedra pode trazer mais rápido uma vida estável do que uma decisão bem leve. Mentes barulhentas é isto, a confusão de várias escolhas, do dia a dia, das pessoas, das inconformidades, das recordações, das imaginações, das tristezas, das alegrias, de tudo. Mentes barulhentas só quem as tem sabe a confusão que pode ser sobreviver para viver e viver para sobreviver, só quem as tem sabe o quanto difícil é qualquer coisa. 

domingo, 19 de janeiro de 2014

Uma estrela ♥




Eu posso fechar os meus olhos. Estou confiante, e posso fechar os meus olhos. Hoje eles têm uma palavra, um significado, um verdadeiro olhar, têm vida. Hoje os meus olhos não choram, eles conversam, imaginam, sonham, mas não choram...
Estava em pleno deserto e queria decidir. Confuso perdido, mas sabia o que tinha a fazer minimamente. Queria tomar decisões, dar início a uma recuperação e procurar um caminho para longe do inferno circular. Qualquer coisa que eu fosse decidir, poderia não ser suficiente, e mesmo que fosse uma ajuda, iria exigir muito do tempo e de mim. Não sei explicar porquê. Não encontro bem as palavras acertadas. O que aconteceu foi o incrível inesperado. Em plena tempestade um raio transformou-se numa luminosa estrela, e ficou... Para iluminar, motivar, surpreender e provar. Iluminar os meus dias que quase nem existiam. Motivar para além do que são as minhas obrigações. Surpreender a um ponto extremo, isto é, tornar o impossível no possível ao conseguir estender-me a mão a milhas e mesmo assim tocar-me no poço mais fundo. Provar, provar que tudo é possível, que o mais negro pode ser coberto por uma simples surpresa na vida. Aqui está uma vida sem sentido a fazer sentido. Uma oportunidade... Um caminho... Uma força... Uma motivação... Uma estrela... 

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Eu achei... Eu achei...




Ridículo, isto é ridículo. Eu achei que não era real, que não estava acontecer, não podia acontecer. Achei que não era minimamente grave, que era passageiro, que era normal, que estava tudo dentro da normalidade. Achei que estava protegido, achei que estava abrigado, achei que estava seguro e saudável. Eu achei...
Não é o meu momento, nem tenho a minha previsão. Chama-se presente e realidade, significado de cada atitude. Não vale de nada fingir que não é verdade, ou tentar fintar o que está acontecer. Não diminuirá a dor. A chama não está apagada, a vela desapareceu. Escondida em algures por aí, talvez mais perto do que o que os meus olhos atingem. Sou conduzido por essa chama que não existe, conselhos, e por mim próprio pela forma que vou à guerra. Faço-me forte e respeito o meu ser. Luto contra o que de mal tenho, e fujo até ao que ocupar o pensamento. Um brinquedo ou uma tarefa, não importa, desde que me desmaie por o tempo que seja capaz. Uma preocupação arrasta outra, um problema aumenta a gravidade do outro... Vento arrasta o ar, as ondas arrastam a água, e a realidade arrasta-me até ao nada. Porquê eu? Porquê tão cedo?
Estou a perder o meu próprio amor, estou a perder as minhas vontades, os meus desejos, os meus objectivos, estou a perder as minhas capacidades. Quando tencionas devolver tudo o que me pertence e deixar-me viver? Tu sim, vida. Perdi a beleza do céu e a noção do chão. Perdi o que de melhor tinha e fui cegado. Pedi uma transformação, uma atitude e sorte, e o que consegui encontrar foi sempre mais um pedaço a desistir de mim. Pedaços desfazem-se em pedaços, e esses pedaços puxam outros pedaços. Às vezes a luz força-te a fechar os olhos. Às vezes a dificuldade visual força-te a chegar mais perto. Às vezes a vida força-te a perceber que há diferença entre a tristeza e o não conseguir aguentar o teu próprio estado. A vida força-te sempre a alguma coisa, e quando não tens escolhas, complicou. Era mais fácil de entender se soubesse do que falo, do que sinto... Se não fosse imaginação e conseguisse falar sem ter de virar costas. Se fosse capaz de me cuidar e saber o que dizer. Se fosse capaz de aceitar-me e aguentar-me. Se fosse capaz de puxar o tempo até mim e ir com ele até ao que me pertence. Eu achei que era capaz de te proteger, de me proteger. Eu achei...

domingo, 22 de dezembro de 2013

Desiquilibrio




Continuo adiar a minha própria avaliação quanto ao estado psicológico, ou talvez mais quanto à evolução, desde do dia que me pareceu o mais escuro até ao ponto em que foi menos difícil de manter o equilíbrio. Reconheço-me conforme vejo que as pessoas reconhecem-me, se calhar até um pouco mais. Identidade mesmo identidade, só nós é que conhecemos melhor. Melhor? Mas melhor porquê? Porque não somos identificados por aquilo que achamos que somos ou fazemos? A realidade tem sempre um ponto de vista, mas eu sinto-me confiante o suficiente para dizer que ninguém a escreve ou desenha na totalidade, nem tão pouco de forma complexa e sem factos iludidos. Digo até que não é o que fazemos ou achamos que somos, é como reagimos a tudo isso, são os absurdos que nos enchem a mente e abalam todo nosso sistema. Faz muito tempo que eu corro em busca de clarear a minha, para mim mesmo. Acontece que os meus cenários chegam a um extremo e absurdo ponto, correntes grossas e ameaçadoras por todas as janelas por onde circula o meu ar. No fundo não é nada e não passam de normalidades, mas funcionam como para além do que vêm, funcionam como facadas a cada movimento meu, mesmo que esse seja apenas um simples olhar. Dou comigo aqui em momentos como este a escrever, sobre o que sou, o que vivo e o que acho útil transmitir às pessoas. Não que me ache alguém neste mundo tão grande, mas se me sinto melhor em fazê-lo, porque não? Funciona como uma espécie de leitura pessoal e recolha de sentimentos que não devo guardar e trancar em mim. Penso muito sobre o que escrevo, no que escrevi e como escrevi... Penso nos pensamentos que surgiram durante o desenvolvimento de textos como este. A magia da escrita é que acabo sempre por achar e transformar a dor em palavras, ou seja, acabo por trazer a compreensão até mim, o que é ótimo. Eu sei que isto não é a minha profissão, não é nada para além de um vulgar blog, mas sou eu, são as minhas palavras e as minhas aprendizagens. Pequenos pormenores que fazem a diferença. Este caminho é de descobertas e conseguir transmitir tudo isto é algo de valor, portanto como é óbvio, faz-me sentir  um pouco mais valorizado sempre que o faço. Podemos até ter uma vida estável, cheia de motivos para estarmos tranquilos, bastante bem e confortáveis, mas e se o nosso interior exigir algo mais? Não sabemos tudo sobre nós como já referi à pouco. O que acontece comigo é um pouco isso, não encontro o que preciso, não vivo como preciso, não me conformo com nada, todo o bem acaba por de um jeito ou de outro fazer-me mal. Perdi o controlo sobre o meu próprio desenvolvimento, embora bem ou mal continue a crescer todos os dias, não estou como podia ou devia estar, ou como queria. Gostaria mesmo de alargar a minha folha e tornar o meu desenho maior, depois pintá-lo como deve ser e dar-lhe mais luminosidade e criatividade. Não consigo, estou preso por mim. Sou forte porque o assumo, porque erro, porque tento todos os dias melhorar, porque passo por cima do orgulho para não perder nada, porque luto e faço para conseguir. Não gosto de mim mas reconheço o meu valor, porém os meus defeitos também, talvez por isso. Vivo centrado em algo, não consigo mas pretendo alcançar a transformação, mesmo essa sendo um enorme susto para mim. Preciso de deixar-me destes olhares cheios do que ninguém consegue ler e deixar-me desta vida deprimente. Eu preciso realmente, mas com que condições? Como? Se um passo rasteira o outro? Pretendo no futuro passar ligeiramente por cima desta parte de mim, mas a verdade é bastante clara quanto a isto... Digamos que não é de todo fácil, mas também não dá, não posso viver com um ângulo cego, pois este não me dá garantias absolutamente nenhumas, não me garante que irá levar-me até a algum lado, não me garante recompensas, não me garante nada. Sinto que estou a sofrer por nada e para nada, simplesmente porque sou assim. Preciso daquilo que não sei, e o que não sei já é suficiente para eu recusar.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Planos




Não há sentido de lógica que vá contra a dor e a revolta. Nos humanos são as longas e diferentes fases que constroem o desenvolvimento, desde a cegueira até à mais real das visões sobre tudo que está à volta. Há pensamentos que podem nem chegar a cruzar-se, e no que toca à grande união é um problema bem serio de lidar. Realidades escuras mas conscientes fazem com que sintas saudades de deitar e adormecer sem nada perturbador na cabeça... Hoje já é tarde para chorar os erros do passado, e eu não consigo parar para pensar em como podemos nós esperar ser o ombro de alguém. Não há caminhos finais, não há escolhas fáceis, simplesmente é difícil construir tanto e um dia acordar com tudo a desabar. É difícil não conseguir viver por mim, para mim, sozinho e independente. Estes são os meus planos para o dia de amanhã e depois de amanhã, e talvez depois desse e do outro dia também, enfrentar-me, enfrentar as minhas inconformidades, a minha dor, as minhas revoltas.... Aquilo que nem toda gente é capaz de entender, e a dor que nem toda gente é capaz de ver. Simplesmente é difícil,  e eu aqui sem encontrar o meu atalho de regresso.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Impacto Emocional



Este é todo o sitio em que eu não deveria estar, é todo sitio em que eu não devia estar errado. Para mim, para ti, para nós.... Não posso desaparecer eu, nem podes tu desaparecer, e não há truque nem medida para este incómodo frio e impulsivo. Diria melhor para ti do que para qualquer peixe do mar em que também nado. Não acontece, não vai acontecer sequer, porque de facto a naturalidade da vida é completamente relativa de alma para alma. Os segredos para a luta são muito comuns é verdade, mas as pessoas são tão diferentes. Oposto atraído, cria confusão e realismo no impacto emocional, e seja qual for a posição de defesa o ataque vai sempre transparecer nos olhos. Passa de dia para dia, e cada vez mais a cabeça quer acariciar e explodir ao mesmo tempo. Completo desequilibro aleatório, faz quase sentido dizer que é afogo de ideias e aperto de coração extremo. Talvez um dia seja possível trazer ao mundo de alguém aquilo que não saí do meu, pelo menos com objectivo de compreensão. Talvez os olhos que me conduzem me levem desta vez até ao sitio onde nasci. Talvez esse acontecimento surja para provar a minha verdadeira identidade como pessoa. Talvez um dia vá ser recompensado por todos os momentos de pleno gelo. Talvez... Queria ser um pássaro livre para poder voar em territórios desconhecidos e descobrir o que de melhor há por cima deste frio que se faz cá em baixo. 

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Humanidade



Existir é tornar toda natureza na maior das loucuras, como fazer parte das imaginações de mentes loucas e inspirar almas feridas. Tem sempre uma melhor forma de correr na pista grande, de forma entusiasmante e fechada ou de forma louca e verdadeiramente humana protegida. Somos aquilo que aprendemos e vemos nos outros, pelo menos até a um certo ponto. O que nos distingue é a maturidade que é criada por todas as aventuras em que escolhemos intervir, e o lema é daí retirado, isso sim já são as nossas escolhas pessoais e decisões, basicamente o que nos identifica como pessoa. É importante conseguir saber agir do jeito que pensamos, embora o que acontece em grande peso na humanidade é mais a falta de coragem para tomar as decisões que o nosso interior exige. Pois, é tudo muito lógico visto que a conformidade é a confusão instalada, ninguém está disposto a largar a mão quente de quem ama. Essas almas sensíveis simplesmente não são corajosas o suficiente para substituir as pessoas que amam por a forma de viver que acham que merecem... Conformidade? Isso mesmo, alguém se conforma em maioria com a vida que tem? Alguém consegue adormecer todos os dias da semana levemente? Sem pensar no que lhe incomoda e impede de sorrir? Meto as mãos no fogo como não, tendo em conta os meus conhecimentos acerca da humanidade. A esse ponto totalmente perturbador, não que seja um velho com toneladas de histórias por contar, mas sim por uma pequena caixinha guardada com as minhas atenções e interesses sobre a nossa raça. Torna-se cansativo para alguém sensível ter a tristeza e o suporte como seu modo de vida, mesmo tendo fortes alegrias nos olhos. São incómodos sentimentos que de facto só quem vive tem o direito de discutir acerca. Contudo, vejo experiências rebeldes mas solucionais em relação aos fortes impactos sentimentais, começando por destacar a loucura e a procura de novas experiências que combatam com grande equilíbrio a depressão. Vejo? Claro, mas em boas escritas, e em pessoas mais frias e capazes, não em mim, não nas pessoas com maior capacidade de entrega e dedicação a alguém. Nós pessoas, passamos tempo em demasia a procurar soluções, a procurar melhor solução para impedir forma de magoar alguém e a nós mesmos, preocupamos-nos em demasia com a tristeza e o vazio que há dentro de nós, e esquecemos-nos de viver. São pensamentos que realmente caem bem no ouvido mas, no fim a história é sempre a mesma e nunca conseguimos assumir aquilo que escrevemos e achamos correcto. 

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Escrita





A escrita acontece quando de facto tem que acontecer, não quando queres mas quando precisas. Na minha opinião, para uma boa escrita ser desenvolvida tem de haver um tema, qualquer coisa de arrepiante, emocional ou se calhar nem tanto, basta que seja uma história ou um momento profundo. Falo de mim porque os meus textos são isso, palavras sentidas. Acabei de retirar um tempo para voltar até ao meu espaço pessoal e voltei a ler o que escrevi há algum tempo atrás, não senti em mim os sentimentos mas consegui senti-los lá, consegui organizar-me no tempo e quase presenciar-me nos momentos passados, o que de facto comprova que não são textos escritos por pedidos ou por objectivo de formação algum, tem motivos especiais, tem uma fase delicada e mais que isso tudo, tem coração. Estranho, foi estranho voltar aqui e sentir como se já não cá viesse há anos e depois ver tudo aquilo que sou em palavras, sentir-me compreendido e acima de tudo automaticamente valorizado por mim próprio. Ter valor naquilo que já enfrentamos, já superamos e que já fomos capazes de realizar, é realmente muito, muito bom. Não sei bem onde é que me escondi, onde me enfiei mas o que é verdade é que com tanto frio não há calor humano que resista, não no sentido de sobrevivência mas sim a viver. Há alturas em que não basta estar por cima, vi referido nas minhas palavras escritas mais antigas que a conformidade é relativa e a dor é parte de nós, a forma de pensar mantém-se claramente sem tirar nem pôr nem uma única letra, com isto quero dizer que a motivação esgota-se. O ser humano tem de procurar sempre a sua motivação, mas para isso tem de se alimentar, não em alimentos de manter a estrutura física, mas sim em peças brilhantes que possam marcar a sua fase como uma verdadeira recordação. Relembro que uma recordação é tudo menos um acontecimento vulgar, a saudade só existe quando algo nos marca o passado e trás esse mesmo até onde quer que estejamos. Hoje estou mais organizado, em culpa do aconteceu e do que superei e como superei, levou o seu tempo mas valeu a pena, como de facto esperava. Sinto-me satisfeito com isso, mas por um outro lado, não tão satisfeito comigo mesmo por tão cedo viver as coisas de uma forma tão séria e intensa. Começo achar que o meu peito é demasiado grande para o escudo que me foi dado, e haverá sempre algo a atingir a minha fraqueza e a testar a minha sensibilidade. Começo achar que tanto quis dar para quem não foi capaz de receber, que nos tempos próximos não seja capaz de voltar a ter para dar a alguém. Descontrola-me os interesses e enrola-me nas incertezas e nas tristezas... Vozes de fundo que são inexistentes ditam-me aquilo que eu não sei escrever. Confuso não é? Pois, se consegui transmitir essa ideia, tive sucesso no meu desabafo. Esta é a minha realidade, é a minha companhia e o que me impede de viver controladamente a desfrutar da minha própria boa disposição ou pelo menos dos motivos que a podiam originar. Desliguei um pouco de mim mesmo, e enterrei-me mais ainda no que era quando estava caído, refiro isto porque merece a sua atenção.... A questão é, será que a mudança não vai cobrir a anterior existência de um forte sentimento triste causado por menos bons acontecimentos? Não sinto arrependimento ou ódio, sinto falta de quando não pensava em como sobreviver, sinto falta de acordar e construir o meu dia de forma tranquila, simplesmente a viver... Eu aceito levar uma carga de porrada da natureza, eu mereço, sei perfeitamente que os meus motivos  para estar menos feliz são escuros e de difícil compreensão, alias, eu sou uma pessoa difícil. Só quem sente sabe o que de facto estou a dizer, cada um vive e reage à sua maneira é certo, eu quer eu queira quer não, sou obrigado a viver assim. Não de cabeça baixa, mas sim com muitos cuidados e protecção, sei bem o que sou e não tenho medo de o assumir, tenho mais medo de descuidadamente cair e de novo voltar a recorrer de forma louca até ao que me pode verdadeiramente recompor. Tenho alguém comigo capaz de o fazer, quer dizer, que na verdade fá-lo todos os dias, cria as minhas motivações, inspira-me e encoraja-me a viver o meu dia... Um coração enorme num corpo pequeno, é realmente uma força que me leva até ao lado positivo de tudo isto, é no mínimo maravilhoso sentir que tenho comigo alguém capaz de me levar até à intensa felicidade, mesmo que seja por uns instantes, mas pelo menos não a deixa morrer nunca desde que esteja sempre presente. Estou cá para provar que o meu positivismo é mais forte, ela é o meu motivo forte. Vou chegar até onde disse que um dia me queria ver. Irei provar-lhe o que é para mim, enfrentando tudo o que vier de qualquer jeito, e nunca mas nunca baixar-lhe o olhar. Até porque na verdade, família não é o que está no sangue mas sim o que está no coração.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Vazios



A razão pela qual a razão nem sempre vem ao ar é que, a razão está em quem a tem por dentro, e por vezes quem a tem não consegue simplesmente trazer a sua explicação para fora da alma. O desconforto é a banda mais barulhenta na cabeça de alguém, com tudo que está à volta ou até consigo mesmo, é algo que nem a nossa mentalidade e experiência é capaz de lidar. Antes de desejar sair é preciso ter condições para pensar em como sair. Quando sentimos necessidade de avançar um tempo longo na nossa vida é quando os dias se tornam mais longos e longos, infelizmente, bons estados complementam tempos rápidos, e quando estamos mal parece que o tempo pára e ficamos presos em alguma coisa, presos em algum pedaço de nós que caiu ou constantemente caí. Não adianta viver de forma justa numa vida injusta, eu sou uma criança que com tudo irá sempre sentir algo do tipo desmotivador, sempre sentirei falta de alguma coisa, sempre irei a baixo com qualquer coisa, sempre... O que é normal, porque a verdade é que só as lembranças boas é que fazem sorrir e ao mesmo tempo chorar, a dor vem do balanço entre o prazer e a dor, o difícil é encontrar o equilibro e manter.